//Almanaque Brasileirão: Iranduba

Almanaque Brasileirão: Iranduba

O Iranduba não tem sequer 10 anos de história, mas já figura como a maior potência do Norte quando se fala em Futebol Feminino. O Hulk da Amazônia, como é popularmente conhecido, já quebrou recordes de público e de títulos, chegando até a conquistar o terceiro lugar na Copa Libertadores da América. Hoje com o crescimento do Futebol Feminino em todo o Brasil, o desafio do Iranduba é manter-se competitivo diante de grandes equipes e buscar mais uma vez estar entre os melhores do futebol brasileiro.

Em entrevista exclusiva, o Diretor de Futebol Feminino, Lauro Tentardini, comenta sobre a atual fase do clube e explica até onde é possível sonhar na série A1 do Brasileirão.

Fut das Minas: Lauro, o Iranduba começou 2019 vindo de uma libertadores positiva, onde ficou com 3º lugar, e de uma temporada relativamente boa. Mas, no Brasileirão chegou a lutar pra não cair e não conquistou o amazonense. Como você avalia o ano do Iranduba e a que você atribui essa queda de rendimento?

Lauro Tentardini: O ano foi muito complicado. Nós tivemos problemas que acredito que todas as equipes passam. Vimos equipes como o Fluminense, Cruzeiro, Botafogo, Vasco da Gama, enfrentando esses problemas no masculino. E nós tivemos um grande problema financeiro, em que o nosso patrocinador entrou em negociação de venda de ações, e com essa venda ele ficou inadimplente conosco. Ficamos com alguns débitos e perdemos atletas, mas estamos organizando tudo para quitar as pendências e montar um bom time em 2020. Claro que não será com jogadoras tão conhecidas como nos últimos anos, mas o importante é organizarmos a casa e voltarmos ao padrão Iranduba. Imprevistos no futebol acontecem, infelizmente, e tudo que aconteceu acabou nos complicando bastante.

Fut das Minas: A equipe perdeu atletas importantes, dentre elas, mais recentemente a Djenifer, considerada craque da equipe. Como o clube planeja reformular o elenco?

Lauro Tentardini: Nós estamos com os pés no chão. Sabemos que o Futebol Feminino inflacionou, encareceu bastante. A primeira equipe que eu levei para o Iranduba tinha uma folha em torno de 26 mil reais, e hoje é impensável fazer o Futebol Feminino com uma folha assim. Então, estamos com uma equipe forte dentro da nossa realidade financeira, de forma que possamos honrar tudo que assumimos com as atletas, isso é o mais importante. Nós temos uma equipe que tecnicamente é muito boa, sem nomes de grande expressão, mas com meninas de grande talento que vem do Nordeste e de outros centros do Brasil. Artilheiras de campeonatos estaduais, e nós sabemos que vamos passar por um momento de reformulação, que vamos ter tropeços, mas esse é o caminho do Iranduba. Mas ainda não temos condições financeiras de competir com times como Internacional e Corinthians, por exemplo.

 

Foto: Reprodução Iranduba

Fut das Minas: Sabemos que 2020 será um ano mais competitivo na série A1. Grandes clubes chegando para disputar, e fica cada vez mais difícil o título. Quais as metas do Iranduba nesta competição?

Lauro Tentardini: O Iranduba entra no campeonato primeiro para não cair, esse é o primeiro grande objetivo. E segundo é brigar para se manter entre os oito melhores classificados. 

Fut das Minas: Por um momento o Iranduba tornou Manaus a capital do Futebol Feminino, com recorde de público nacional e torcida engajadora. Hoje esse feito já foi superado em São Paulo. Você acredita que ainda é possível fazer do Norte uma potência para brigar por visibilidade no futebol nacional?

Lauro Tentardini: Eu discordo que o feito tenha sido superado hoje por São Paulo. O Iranduba quando colocou 25 mil pessoas contra o Santos foi cobrando ingresso, não foi distribuindo gratuitamente. É evidente que devemos louvar a atenção que o público paulista deu ao Futebol Feminino especialmente em 2019, o engajamento das equipes grandes, especialmente o Corinthians. E eu parabenizo a Cris que é a grande peça desse Futebol Feminino do Corinthians. Agora eu não posso dizer que Manaus foi superado, porque na época o ingresso era cobrado, o Iranduba sempre cobra. E no segundo momento temos de entender que o Iranduba fez uma campanha ruim no ano passado. Essa campanha ruim de qualquer time afasta o torcedor, isso é normal. Quanto ao Norte ser uma potência de visibilidade nacional, eu não tenho dúvida que seja possível. Nós estamos organizando a casa do Iranduba pra ele voltar a figurar entre os primeiros, isso é o mais importante. No campeonato Sub-18, nós montamos uma equipe, e por ter uma realidade financeira mais baixa, chegamos à uma semifinal. É que lamentavelmente nós não temos dinheiro para competir com equipes de camisa. Então no campeonato de base, onde os orçamentos são parecidos, nós chegamos bem.

Fut das Minas: Existem alguns nomes a vista no elenco para a próxima temporada? Pode adiantar alguns?

Lauro Tentardini: Já estou com o elenco praticamente fechado. Os nomes estão sendo anunciados aos poucos, e o torcedor pode ficar tranquilo que temos uma equipe forte.

Fut das Minas: Você protagonizou um episódio polêmico no último Amazonense, ao deixar as medalhas de prata na entrada do vestiário de arbitragem. Como você analisa esse episódio hoje? Algum arrependimento?

Sobre esse episódio das medalhas, em primeiro lugar eu gostaria de deixar claro que ninguém foi agredido. Foi uma forma de protesto porque nós pedimos desde 2016 para que essa senhora, Kezy Guimarães, não atue mais em jogos do Iranduba. No jogo do Juvenil Nacional x Iranduba, o jogador do Nacional empurrou o árbitro da partida e levou amarelo. A Gisele não tinha feito falta. Ela reclamou e qualquer árbitro teria dado um amarelo ou dito vai jogar na próxima eu te mando na rua, que é o normal. E aí como tinha uma bandeirinha arbitrando jogo pela segunda vez na vida dela e em uma final. Em final não se homenageia arbitragem, em final se coloca árbitro de qualidade. Daí acabou estragando o jogo. O Iranduba saiu cheio de cartões e com três jogadoras no hospital. O outro time teve pouquíssimos cartões, não teve pênalti marcado contra si, enfim. Mas aí tem pessoas que se escondem atrás de blogs, páginas e facebook, se dizendo imprensa para atacar os outros. Eu só gostaria de lembrar que até 2015 o Iranduba nunca tinha ganhado um jogo fora de casa. E na nossa estreia em 2016 contra o Tiradentes-PI, ganhou. O Tiradentes era o atual terceiro colocado do Brasil. O Iranduba nunca tinha ganho fora de casa, nem estreado com vitória, liderado o Brasileiro, ou passado para a segunda fase. E tudo isso em nossa gestão o Iranduba conquistou pela primeira vez. Todos os recordes de público foram alcançados na nossa gestão. O campeonato Sub-20 2016, as semis do brasileiro Sub-17 e libertadores 2018, foram na nossa gestão. Então é muito fácil em um ano ruim, ouvindo várias pessoas porque ninguém é unanimidade em nenhuma área de atuação na vida. Ouvir uma pessoa que não faz nada pelo Futebol Feminino, a não ser se escondendo atrás de blog e ficar ofendendo moralmente outra pessoa. Mas isso já está com meu advogado e o processo será discutido na esfera adequada.

Foco na nova temporada

Após perder a craque Djenifer, o Iranduba tem preparado seu elenco para a estreia no Brasileirão que acontece no dia 9 de fevereiro contra a Ponte Preta-SP. Confira abaixo as novas contratações anunciadas recentemente pelo clube.

Thaís (Lateral-esquerda), Thalita (Lateral-direita), Érica (Atacante), Kedma (Atacante), Taba (Volante), Andressa (atacante).