Rede de pesquisadoras mapeia e conecta mais de 260 mulheres que estudam o futebol no Brasil

Foto: Reprodução/Instagram

As mulheres estão ganhando protagonismo para além das quatro linhas e ampliando seu espaço no campo científico, com a criação da “Rede de Mulheres Pesquisadoras de Futebol”, que busca dar visibilidade às mulheres que pesquisam diversas vertentes do futebol brasileiro. A meta do grupo é que todo o trabalho dessas pesquisadoras esteja disponível em um mapa interativo até o início de 2027, ano que marca a realização da primeira Copa do Mundo Feminina no Brasil.

O coletivo é coordenado por seis pesquisadoras: Soraya Barreto, Aira Bonfim, Silvana Goellner, Ana Carolina Vimieiro, Mariane da Silva Pisani e Caroline Soares de Almeida.

Tudo começou em 2023, durante um evento sobre esportes e mídia que contou com a participação do Núcleo de Estudos Críticos de Feminismos, Gênero, Consumo e Capitalismo (Fegeccap), coordenado por Soraya Barreto. Na ocasião, o número de mulheres que pesquisam futebol chamou atenção.

A partir desse evento, percebi a necessidade de entender como estava esse campo, que ainda é muito machista, muito misógino. Então, elaboramos um questionário junto ao evento do Ludopédio, em 2024. Logo no início, já tivemos mais de 130 inscrições. A partir da coleta desses formulários, elaborei um projeto, chamei um grupo de mulheres e o submeti ao edital universal do CNPq, relembrou Soraya.

A rede foi crescendo e, atualmente, conta com mais de 260 inscrições. O grande número de participantes também representa a diversidade da produção científica das mulheres sobre o futebol — pesquisadoras de todas as regiões do Brasil, que se debruçam sobre diferentes perspectivas do esporte mais praticado no país.

“A gente abrange desde o futebol espetacularizado, midiático, da Seleção Brasileira, até o futebol de várzea, o futebol de pessoas com deficiência visual, o futebol indígena e o futebol de mulheres — que tem uma presença bastante significativa. Além disso, o tema perpassa campos muito diferentes: há pesquisadoras da educação física, da sociologia, da antropologia e da história. Temos mulheres de todas as regiões e de todos os estados. Muitas estudam torcida, outras analisam a cobertura midiática, outras desenvolvem pesquisas etnográficas. Ou seja, é um campo muito vasto”, explicou Soraya Barreto.

Foto: Staff Images Woman / CBF

Após o término das inscrições, Soraya e as outras cinco coordenadoras irão aprofundar a análise dos trabalhos recebidos para entender os percursos geográficos, as temáticas de pesquisa, as áreas de atuação e outros aspectos. Em seguida, os dados serão organizados em um mapa digital que facilite o acesso do público — sejam pesquisadores ou profissionais da imprensa — e gere impacto social, como detalha Soraya.

Hoje, vivemos em um meio muito masculinizado, em que as fontes para falar de futebol normalmente são homens. Então, a ideia é dar visibilidade e criar um espaço onde as pessoas possam encontrar, por exemplo, uma pesquisadora do Norte que trabalha com futebol, podendo buscar por temática e por região. Assim, a gente não só divulga o trabalho científico dessas mulheres, como também gera impacto social.

Futebol feminino também está no centro da rede

Uma das vertentes da Rede de Mulheres Pesquisadoras é o futebol feminino. O esporte praticado por mulheres tem sido analisado sob diversas perspectivas, dentro e fora de campo.

“Temos várias frentes de pesquisa: desde o futebol espetáculo, da Seleção, até estudos sobre cobertura midiática, autorrepresentação das atletas nas redes sociais, consumo de produtos relacionados ao futebol feminino e pesquisas de campo para entender o comportamento da torcida. Há também trabalhos sobre futebol de várzea feminino. Ou seja, temos desde pessoas estudando mulheres na torcida até pesquisas sobre representação, violência contra a mulher, assédio e a relação com árbitras e comissões técnicas. Há muita coisa sendo feita sobre o futebol de mulheres, desde a gestão até a atleta em si”, disse Soraya.

A pesquisa sobre o futebol de mulheres, feita por mulheres, amplia o olhar tradicional sobre a modalidade e revela novas perspectivas sobre o esporte praticado e estudado por elas.

Para as mulheres, o futebol é um espaço de disputa e de luta. Então, ter mulheres pesquisando e praticando futebol é trazer um outro olhar sobre esse fenômeno social. Quando temos mulheres pautando temas e observando a partir de suas próprias perspectivas, em um espaço que é tão masculinizado, passamos a enxergar outras nuances, pontuou Soraya.

O formulário ficará disponível para a submissão de trabalhos até a segunda quinzena de abril. Segundo Soraya, posteriormente, será aberta uma nova rodada de inscrições para as mulheres que desejem participar da rede.

Paulista em terras paraibanas, jornalista em formação e apaixonada por esportes desde pequena. Tinha o sonho de ser nadadora profissional, mas como não deu certo, encontrei no jornalismo uma chance de continuar a viver o esporte de perto. Seja no trabalho, na faculdade, em casa, com amigos, estou sempre falando, assistindo ou pensando sobre futebol, e também um pouquinho sobre F1. Além disso, gosto muito de sair para comer ou beber, ir ao cinema. E também de ficar em casa, assistindo a alguma série, lendo ou só curtindo minhas playlists favoritas.
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