A FIFA autorizou que a seleção feminina de refugiadas do Afeganistão dispute competições oficiais. O “Afghan Women United” é formado por afegãs que vivem fora do país e receberá apoio da entidade. A decisão foi tomada pelo Conselho da FIFA durante reunião realizada em Vancouver.
O Conselho decidiu criar um mecanismo para o registro de equipes em situações consideradas excepcionais. Com isso, a FIFA passa a ter autorização para estabelecer e reconhecer seleções nacionais quando uma associação membro não tiver condições de fazê-lo.
“Criamos, juntamente com mulheres muito corajosas, uma equipe de refugiadas. Agora, o Conselho da FIFA decidiu permitir que elas participem de competições oficiais. É um passo importante para todos que acreditam que o futebol pode ajudar essas mulheres que têm sofrido tanto”, afirmou Gianni Infantino, presidente da FIFA.
O caso do Afeganistão
A medida atende jogadoras que estão fora do país e não têm possibilidade de competir internacionalmente sob a própria bandeira. A FIFA passa a ser responsável por uma série de questões relacionadas ao “Afghan Women United”, como a operação da equipe, o registro formal, a organização logística e o suporte técnico, humano e financeiro.
Entre as atribuições da entidade, também está a criação de um ambiente estruturado para treinamentos e jogos, com acompanhamento contínuo durante o período de transição. As mudanças serão implementadas de forma gradual, e a manutenção do apoio poderá durar até dois anos.
Como próximos passos, estão previstas atividades preparatórias, com treinamentos e amistosos internacionais.
“É o nosso momento. O futebol é a nossa voz e a nossa plataforma. Nada é impossível quando os órgãos e dirigentes estão conosco”, afirmou Khalida Popal, ex-capitã da seleção afegã e ativista.
Situação das mulheres no Afeganistão
Segundo a ONU, desde 2021 as mulheres no Afeganistão enfrentam restrições a direitos básicos, que afetam o acesso à educação, ao trabalho, à saúde e à participação pública.
No país, mulheres estão impedidas de estudar em universidades e de atuar em diversos setores profissionais. Também enfrentam limitações de circulação e presença em espaços públicos, além de exclusão da vida política formal.
O acesso à saúde também é reduzido por restrições de mobilidade e pela falta de profissionais mulheres, cenário que impacta indicadores como mortalidade materna e casamento infantil.

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