Promessas: Natália Pereira

Natália Pereira tem 10 anos e já integra a equipe de base do Avaí, time catarinense que está na primeira divisão do futebol brasileiro.  A menina conhecida pela incrível habilidade, dribles e gols que faz, também é marcada pelo amuleto que usa dentro do campo e da quadra. Natália sempre usa um laço na cabeça, e por isso, ficou conhecida como “a garota do laço”. Ela é a nossa personagem da segunda matéria da série “Promessas”.

O Futebol começou na vida de Nati desde cedo. Segundo a sua mãe, Karyna Pereira, a inspiração veio do irmão mais velho. “Ela adorava imitar o irmão. E ele vivia jogando bola. Então ela começou a acompanhar ele e jogar aqui no prédio”, revela.

Enquanto jogava na quadra do prédio, os vizinhos começaram a notar que Natália tinha uma habilidade diferente. Segundo eles, a garota jogava melhor que os meninos e tinha o chute forte. Entre os cinco e seis anos de idade, ela decidiu que era hora de evoluir o que até então era só uma brincadeira. “Eu falei pra minha mãe que queria jogar em um time profissional, que queria participar de competições”, explica.

A partir de então, a busca para encontrar uma equipe que desse espaço para Natália começou. E segundo Karyna, não foi nada fácil. “A gente ficou durante dois anos buscando algum clube que recebesse ela. Como não tinha nenhum feminino, encontramos uma oportunidade com o Márcio Porto, da Associação Desportiva do Instituto Educacional de Educação -ADIEE, de Santa Catarina”, descreve.

Com a chegada no ADIEE, Nati passou a participar de competições com caráter mais profissional. Para ela isso fez muita diferença. “O Márcio me deu a oportunidade de disputar a Liga, que é um torneio muito importante pra mim. Eu me desenvolvi bastante”, revela.

Com as participações e conquistas que foi alcançando, o momento pedia mais. Com algumas buscas na internet, Natália descobriu o Centro Olímpico, clube paulista exclusivo para meninas, e conhecido tradicionalmente por ser base de grandes destaques do futebol brasileiro. Ao notar que a equipe faria um peneirão, Nati foi correndo pedir aos pais que a levassem para São Paulo. “Ela pediu pra gente levar ela pra lá porque queria tentar. Então fomos lá, ela foi muito bem e passou na seleção. Treina lá até hoje”.

Chegada no Avaí

Com o desenvolvimento do futebol da Natália, todos já sabiam que ela poderia estar na base de qualquer equipe profissional. Certo dia ela ouviu que se fosse menino, já estaria treinando no Avaí. “E porque não?” pensou. Foi através da insistência do pai com os dirigentes do azulão catarinense, que Natália conseguiu participar da peneira que aconteceu em janeiro deste ano.

A quantidade de crianças tentando uma chance, surpreendeu, de acordo com Karyna. “Era gente do Brasil inteiro. A gente não tinha dimensão do que era uma peneira de equipe de série A”, explica. Apesar de ser difícil, Natália convenceu a todos e garantiu a aprovação na seleção. Ela se tornou a primeira menina da história a integrar a base do Avaí. “Quando o Lucas, meu técnico, falou que eu tinha passado, eu chorei muito. Era um sonho jogar no meu time do coração”, afirma Natália.

Com a chegada ao Avaí, Nati chamou a atenção de torcedores, imprensa e patrocinadores. A Umbro, empresa de equipamentos esportivos, foi rápida e assinou contrato com a pequena craque. Aos poucos, a imagem dela ficou conhecida não apenas em Santa Catarina, mas em todo o Brasil. Seus seguidores no Instagram vivem tietando e elogiando as conquistas e lances que ela posta.

Essa influência também se perpetua na modalidade. Nos clubes por onde Natália passou, a procura de meninas para jogar aumentou gradativamente. “O Márcio Porto nos disse que só esse ano foram umas 30 meninas lá para fazer a peneira no ADIEE. Ano passado só tinha a Nati. Isso é incrível!”, explica Karyna. Segundo ela, meninas também começaram a procurar o Avaí, que atualmente tem parceria com o Kindermann, equipe feminina que está na primeira divisão do campeonato brasileiro.

Número 14

Primeiro campeonato da Nati, onde atuou de goleira e foi artilheira. Ela tinha 6 anos. Foto: Reprodução Instagram

Pra quem não sabe, esse é o número que a Natália utiliza nas costas. Um pouco incomum, para quem geralmente é destaque de uma equipe. Mas ela explicou o porquê.”Quando eu era menor, tinha uma competição chamada jogos católicos. Eu não pude jogar na linha, aí me colocaram no gol. Eu fui a artilheira jogando no gol. Daí eu tava usando a camisa com o número 14. Como foi o primeiro campeonato que participei, adotei o número e jogo com ele até hoje“, revela.

Quem vê a Nati jogando tem a sensação de que ela e o futebol nasceram um para o outro, é como se tivessem entrelaçados em uma união perfeita.

“Quando eu entro no campo ou na quadra, eu não ouço mais nada. Eu desligo. Aquele momento é único!”.  

A Natália foi escolhida recentemente para ser embaixadora da Copa Floripa Brasil, na Europa. Jogou em Paris e Gotemburgo, na Suécia, e chamou a atenção por lá também. Hoje ela tem a noção de que é inspiração para muitas outras garotas. E é para elas, que a Natália deixa um recado. “Vão atrás dos seus sonhos e treinem muito. Um dia vocês vão chegar lá.”

 

Jornalista e Profissional de Educação Física. Pernambucana, bairrista por natureza, vivendo a máxima Gonzaguista: “Minha vida é andar por esse país”. Apaixonada por futebol desde que respira. Atualmente vive em São Paulo, e tem como sonho ajudar a conduzir o futebol feminino ao topo. Fora das quatro linhas, gosta de ler, pedalar, explorar a natureza e é obcecada pela ideia de estar sempre criando algo novo.
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