De um convite inesperado à permanência inédita na elite do futebol feminino brasileiro. Essa frase resume bem o que foi a temporada de 2026 para o Mixto. Em sua primeira disputa no Brasileirão Feminino A1, a equipe de Cuiabá conseguiu fazer uma boa campanha e garantir a permanência para o campeonato do ano que vem.
O bom desempenho é resultado do trabalho desenvolvido dentro e fora de campo pelo clube mato-grossense.
Em 2025, o Mixto chegou às quartas de final do Brasileirão Feminino A2, ficando na sexta colocação geral. No entanto, o planejamento para a temporada seguinte teve uma reviravolta. Faltando pouco mais de um mês para o início da Série A1, o Fortaleza desistiu da disputa, e o Mixto aceitou o convite da CBF para substituir a equipe cearense.
“O objetivo é manter nossa base vitoriosa e discutir a permanência da comissão técnica. Monitoramos o mercado e vamos em busca de reforços para qualificar nossa equipe. Montamos um time para disputar a A2 e fomos surpreendidos positivamente com a vaga na Série A1”, contou Dorileo Leal, presidente do Mixto.
Para liderar a primeira temporada do clube na elite do futebol feminino brasileiro, o experiente Adilson Galdino foi escolhido para o comando técnico. Com pouco tempo de trabalho e um elenco que já tinha uma base formada no ano anterior, o treinador precisou adaptar sua metodologia à equipe.
Aos poucos, Adilson foi implementando sua filosofia de trabalho e percebeu que o elenco poderia corresponder bem no jogo coletivo.
“As características do elenco todo, quando eu cheguei, praticamente com o grupo todo montado, aos poucos eu fui me adaptando a elas, e elas também a mim, à maneira com que eu gosto de trabalhar, ao modelo de jogo e aos métodos de treinamento. Fui vendo uma equipe que poderia nos entregar muito na questão coletiva, na aplicação e na dedicação de todas elas, por serem muito obedientes taticamente. É um elenco que se abraçou e comprou a ideia”, disse o técnico.
A sintonia entre as jogadoras e o método de trabalho de Adilson Galdino deu resultado em campo. O Mixto terminou o Brasileirão Feminino na 14ª posição, com 12 pontos. Em 17 jogos, as Tigresas somaram duas vitórias, cinco empates e dez derrotas.

O técnico Adilson Galdino relembrou alguns momentos importantes durante a competição. Para ele, a primeira vitória conquistada no Brasileirão, além dos pontos somados diante de adversários diretos e de equipes que brigavam pela classificação, foram fundamentais para a campanha.
“Pontuar contra o Botafogo em casa, que foi uma vitória histórica; contra o Juventude fora, em um momento primordial, contra um adversário direto. Você pontuar dentro de casa contra equipes que estavam brigando por classificação ou pelo topo da tabela, como Inter, Bahia, Atlético-Mineiro e Palmeiras, foram momentos importantes para que fosse alcançado o nosso objetivo na competição. A gente tira a lição desses momentos em que tivemos certas dificuldades e poderíamos ter saído de campo com vitórias. E esses outros momentos felizes, de conseguir vitórias e pontuar contra grandes equipes, acho que isso foi muito marcante na temporada para nós”, avaliou.
Força do Dutrinha
O Mixto fez valer o fator casa ao longo do Brasileirão Feminino. As Tigresas aproveitaram o ambiente do Estádio Dutrinha para tornar os jogos ainda mais difíceis para as adversárias.
Dos 12 pontos somados na competição, sete foram conquistados em jogos como mandante, o que representa 58%. Em oito partidas, foram uma vitória, quatro empates e três derrotas no Dutrinha.
A primeira vitória da história do Mixto no Brasileirão foi conquistada dentro de casa, diante do Botafogo. Já os outros pontos foram somados contra Internacional, Bahia, Palmeiras e Atlético-MG.

Para o técnico Adilson Galdino, o apoio do torcedor do Mixto foi um combustível para que as jogadoras conseguissem fazer bons jogos no Dutrinha.
“Jogar em casa, jogar em seus domínios, no campo em que você treina, com o torcedor que abraça, que empurra, que contagia todos nós ali. Quando a gente vê o torcedor nas arquibancadas nos empurrando, é a força, é o algo a mais que a gente precisa ter lá dentro. Jogando contra grandes equipes do cenário brasileiro, que estavam pontuando por classificação e até no bloco alto da tabela, nós conseguimos fazer grandes jogos dentro do Dutrinha, onde, sem dúvida nenhuma, o torcedor fez a diferença e nós também”, destacou.
Trabalho que preserva o pioneirismo do clube
O Mixto foi fundado há 92 anos na cidade de Cuiabá por um grupo de homens e mulheres que tinha um objetivo considerado inédito para a época: criar um clube esportivo que reunisse homens e mulheres para a prática de esportes e atividades culturais, quebrando um padrão em que as associações esportivas eram formadas majoritariamente por homens.

Até hoje, o clube mantém esse legado com as equipes de futebol. Os times feminino e masculino compartilham as mesmas estruturas de treinamento. Além disso, a equipe feminina também conta com alojamento e transporte próprios.
“Considero que oferecemos uma grande estrutura. As atletas moram em alojamento próprio, de qualidade, ótima localização e uma área de lazer espetacular. Treinos no CT e no estádio próprio, onde são realizados os jogos. Transporte próprio (micro-ônibus) e exclusivo para o feminino. O time masculino profissional treina nos mesmos lugares. Não há privilégios. As duas categorias são tratadas iguais”, contou Dorileo Leal.
Próximos passos
Com a permanência garantida na Série A1 do Brasileirão Feminino de 2027, o Mixto já pensa no planejamento para a próxima temporada. A ideia é seguir com o trabalho do técnico Adilson Galdino e manter uma base de jogadoras que estiveram no clube neste ano.
“O objetivo é manter nossa base vitoriosa e discutir a permanência da comissão técnica. Monitoramos o mercado e vamos em busca de reforços para qualificar nossa equipe. Precisamos reforçar nossa equipe e ter um elenco maior. Fomos abençoados por não ter perdido nenhuma atleta com lesão grave ou por cirurgia”, explicou Dorileo Leal.

Na próxima temporada, o Brasileirão Feminino passará a ter 20 equipes, e quatro times voltarão a ser rebaixados. O técnico Adilson Galdino avalia que se adaptar ao novo formato da competição será o maior desafio do Mixto em 2027. Por isso, ele acredita que será fundamental montar uma equipe que mantenha o DNA do clube.
“Cada ano que passa, o Brasileiro fica mais competitivo, mais difícil. Lembrando que, no ano que vem, serão 20 clubes, com quatro equipes caindo para a segunda divisão. Então, é toda a atenção possível no mercado para que a gente possa ser pontual, estratégico e buscar realmente as características que respiram muito este clube, esse DNA, para que a gente possa ser vencedor”, disse o treinador.
O presidente do Mixto também está consciente do ano desafiador que terá pela frente, mas acredita que o clube pode fazer melhor do que fez em 2026.
“Prioridade é fazer melhor do que fizemos. Um ano muito mais difícil. Queremos continuar fazendo história no futebol feminino brasileiro”, afirmou Dorileo Leal.









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