Promessas Topper: Luiara Gandolfi

“Se for seu sonho, você tem que seguir sem medo”

“Lugar de mulher é onde ela quiser, se ela quiser jogar bola ou fazer qualquer coisa, ela pode, quem fala que futebol não é para mulher é porque nunca assistiu.” A dona das frases acima é Luiara Gandolfi, 13 anos, atleta do Centro Olímpico e uma das vencedoras do Desafio Jogada Topper.

Natural de Rio Claro-SP, ela enviou seu vídeo para o Fut das Minas e, após votação popular, conquistou o desafio e levou para casa uma chuteira da Topper, para reforçar a sua jrotina de atleta.

Luiara começou a jogar futebol com sete anos, totalmente influenciada pela família. “Minha família sempre gostou muito de futebol, meus tios jogavam no clube da minha cidade, meus primos todos jogavam e me apresentaram o esporte, aí eu comecei a jogar no meu condomínio e meu amor foi só aumentando.”

Nessa época, Luiara foi convidada a participar de uma escolinha de futebol na sua cidade, mas jogava só com meninos: “Era um pouco difícil, porque jogavam só meninos, aí entrou uma menina no meio e eles não estavam muito acostumados. Mas sempre joguei e eles nunca falavam nada.”

Seu pai, Rodrigo Gandolfi, falou sobre as barreiras que sua filha enfrentava: “Hoje, a gente prega muita igualdade, de todos os gêneros, raças, idade, sexo, mas a gente vê que ainda existe uma barreira, principalmente para as meninas que estão entrando em um esporte que antigamente era só considerado masculino. Eu acho que o que incomoda ainda mais é o fato delas virem, e virem muito bem para o futebol, porque não é apenas entrar 11 em campo e cada uma chutar a bola. Ela disputou alguns campeonatos pela escolinha, disputou a Copa Palmeiras, e vimos que tem gente que às vezes olha e, porque é menina, vai entrar mais duro, mais firme, tipo, se você quer jogar futebol, tem que aguentar o baque”, conta Rodrigo.

Essa situação mudou quando a atacante passou a integrar o time do Centro Olímpico de São Paulo. “Eu participei de uma peneira, aqui na minha cidade, para o São Paulo sub-18. O técnico viu e falou que eu era muito nova, mas que tinha um projeto em São Paulo e, se eu quisesse fazer a peneira lá, teriam mais meninas da minha idade.” comentou Luiara.

Seus pais, que sempre apoiaram seu sonho, a levaram até São Paulo, onde foi selecionada para fazer parte da equipe. Desde então, a atleta sai toda semana de Rio Claro, que fica a 177 km da capital,  e vai treinar no CT do Centro Olímpico. Devido à distância, sua rotina não é fácil: “É difícil conciliar. Ano passado era mais fácil porque era online, então eu podia ficar em São Paulo, fazendo o que eu amo e acompanhar as aulas. Mas esse ano não tem mais. Então, por enquanto, não estou conseguindo ir”, lamenta.

Os empecilhos não desanimaram Luiara, que segue batalhando pelo seu maior sonho: ser jogadora profissional e, se possível algum dia, jogar no São Paulo. Ela encontra sempre o apoio no seu pai, Rodrigo, que também alerta sobre a falta de incentivo ao futebol de base: “Hoje eu vejo que infelizmente poucos lugares no país dão essa oportunidade para as meninas. O Centro Olímpico foi uma porta gigantesca que abriu, e ela evoluiu demais. Desde cedo eles começam a profissionalizar as meninas. Só que ali é até os 16 anos, depois elas tem que ir para clubes e muitas param de jogar. Isso precisa ser visto com outros olhos pela própria Federação Paulista, pela CBF e, talvez, tornar uma obrigatoriedade: para que um clube dispute um campeonato estadual, tem que ser base sub-15, sub-13, porque tem muita menina boa.”

Além da própria força de vontade e ajuda da família, Luiara também conta com o apoio de seus seguidores. “No instagram dela tem meninas que vem do Amazonas, Fortaleza, Amapá, lugares do Brasil que a gente não tem noção de onde chega e elas falam “meu sonho era estar aí”, “estar com você”, “ter uma oportunidade”. Vem meninas com 11, 8, 9, as vezes com 17, 18 anos, que ainda lutam para ser jogadoras, mas hoje são poucos lugares que oferecem isso. Então, quando surgiu a oportunidade no Fut das Minas, ela ficou com vergonha mas eu falei “vamos”, porque são portas que vão se abrindo e a gente sabe que o pouquinho que a gente planta hoje, lá na frente, a gente vai colher”, comentou Rodrigo. 

Luiara conta que gosta da visibilidade que o instagram traz, mas principalmente gosta de ajudar e incentivar as meninas a nunca desistirem: “Se for seu sonho, você tem que seguir sem medo. É difícil, pode dar errado, mas se não tentar você nunca vai saber. E é pior depois você não tentar e se arrepender, então não pode desistir, é difícil mas se trabalhar duro você vai conseguir.” 

Fernanda Gasel
Jornalista e 100% paulista. Há quem diga que tem cara de metida, mas quem conhece sabe que não tem frescura. Se deixar faz amizade com a cidade inteira, porque não fica quieta nem por um segundo. Apaixonada por esportes, sonha em se tornar repórter televisiva. Acredita que o jornalismo esportivo é muito mais do que falar de esporte, e a partir dele quer contar histórias.