O London City Lionesses chamou atenção depois da contratação da atacante espanhola Alexia Putellas, duas vezes vencedora do prêmio Bola de Ouro e campeã mundial com a Espanha em 2023. A equipe inglesa tem feito grandes investimentos para a temporada 2026/27 e tem objetivos ousados em uma das ligas mais competitivas do mundo.
A verdade é que o London City começou sua projeção no mercado desde a chegada de Michele Kang, em 2023, mas ainda faltava um nome de peso para ter a repercussão que está recebendo hoje. Alexia Putellas é apenas a ponta do iceberg desse projeto.
História do London City
O time de Londres surgiu a partir do Millwall Lionesses, uma equipe que ajudou a promover o futebol feminino na Inglaterra nos anos 1990. Em 2019, a equipe se separou do Millwall e foi financiado pelos empresários Anthony Culligan e Diane Culligan. Diane assumiu a presidência da equipe.
Em 2022/2023, a equipe terminou a WSL 2, segunda divisão do campeonato inglês feminino, em terceiro lugar, alertando para a possibilidade de alcançar melhores posições e até o acesso na próxima temporada. A gerente de futebol à época era Melissa Phillips que acabou deixando a equipe para o Angel City, da NWSL.
Com a saída de Phillips, houve uma preocupação sobre o desenvolvimento do time até a sua existência. Os Culligan resolveram vender o London City e a compradora foi Michele Kang, empresária naturalizada americana e uma das maiores investidoras do futebol feminino.
Duas temporadas depois, a equipe estava jogando a elite do campeonato inglês feminino.

Michele Kang: por trás do projeto do London City
Michele Kang é empresária, investidora e filantropa nascida na Coreia do Sul e naturalizada americana. É considerada a maior investidora do futebol feminino e seu grande objetivo é provar que as equipes femininas não dependem do suporte de times masculinos. Ela entende e vê que o esporte de mulheres é um produto rentável.
Kang é fundadora de uma empresa de tecnologia voltada para saúde e dona de três clubes de futebol feminino: Washington Spirit (EUA), Lyon (França) e London City Lionesses (Inglaterra).
Para administrar o conjunto de equipes, a empresária criou a Kynisca, primeira organização global dedicada exclusivamente ao futebol feminino.
Após assumir o London em 2023, Kang já se movimentou no mercado trazendo Kosovare Asllani, ex-Milan, e Saki Kumagai, ex-Roma. Além de jogadoras, atraiu o treinador Jocelyn Precheur do PSG que tinha a missão de levar a equipe ao acesso.

Negociação não é um problema para Kang. No mesmo ano que comprou o time inglês, a empresária já tinha conseguido tirar do Barcelona o treinador Jonatan Giraldez, que assumiu o Washington Spirit, da NWSL. Hoje, Giraldez comanda outra equipe do grupo Kynisca, o francês Lyon.
Com o tempo, o nome de Kang foi se fortalecendo no meio do futebol e o planejamento com seus clubes foi dando resultados e atraindo grandes atletas.
O acesso do London City
Na temporada 2025/26, o London conquistou o acesso e disputou, pela primeira vez, a Women’s Super League. Com a expertise de montar grandes equipes, Kang conseguiu atrair nomes como Jana Fernandez, ex-Barcelona, Daniëlle van de Donk, ex-Lyon, e Grace Geyoro, ex-PSG.
No entanto, o maior desafio para a equipe de Kang nem foi montar um time, mas sim disputar a primeira divisão inglesa.
A competição, em 2025/26, reuniu 12 times. Apenas os dois primeiros colocados na classificação geral conquistaram vaga direta para a Champions League, ou seja, Manchester City e Arsenal. O terceiro vai disputar uma vaga nos playoffs da competição europeia (Chelsea) e o último colocado brigou nos playoffs de rebaixamento e acabou caindo para a segunda divisão (Leicester).
Já o London City ficou em sexto lugar com 27 pontos, tendo vencido oito jogos, empatado três e perdendo 11. Uma atuação nada surpreendente para sua estreia na WSL.

Inclusive, no meio da temporada, em janeiro de 2026, mudou de treinador. Eder Maestre, espanhol de 39 anos, assumiu a equipe com contrato até 2028.
Para a próxima temporada, que se inicia em setembro de 2026, um dos objetivos do London City é conquistar a vaga na Champions League. Para isso vai ter que derrubar equipes tradicionais, como Arsenal, Chelsea, Manchester United e Manchester City.
A chegada de Alexia Putellas
Ao se despedir do Barcelona no final da temporada, a grande dúvida era: Alexia Putellas vai vestir a camisa de qual clube? A especulação era de que a craque espanhola pudesse ir para os Estados Unidos ou Inglaterra.
O mercado norte-americano parecia ser um caminho interessante, visto que outras jogadoras de peso estavam se transferindo para lá. Sam Kerr e Guro Reiten saíram do Chelsea e foram para o Gotham FC; Catarina Macário, também se despediu dos Blues, mas para vestir a camisa do San Diego Wave; e Lindsey Heaps que se transferiu do Lyon para o Denver Summit.
Outro caminho possível e atraente era o London City Lionesses, de Michele Kang. Além do valor financeiro, o projeto busca desenvolver um modelo de clube capaz de gerar receita, atrair investidores e potencializar o futebol feminino, valorizando atletas e gestão em um dos polos mais importantes do futebol, a Inglaterra.
A craque espanhola assinou com o clube no dia nove de julho e Kang comentou sobre essa decisão: “Alexia Putellas representa o auge do talento, da dedicação e da visão no futebol feminino. A decisão dela de se juntar ao nosso clube independente, voltado exclusivamente para mulheres, é uma forte validação do que estamos construindo no London City e na Kynisca”.
Alexia chega como um reforço dentro de campo para tornar o London um time mais competitivo, mas sua contratação vai além das quatro linhas. Seu nome ajuda a reforçar o trabalho de marketing do clube e a ideia de desenvolvimento do futebol de mulheres no âmbito de gestão.
Fora dos gramados, a campeã do mundo é patrocinada pela Nike, tem linhas de produtos esportivos com o seu nome, está constantemente estampando campanhas publicitárias e é envolvida em causas e projetos sociais. Pontos que tornam a sua chegada no London um match perfeito.
Em sua apresentação, Alexia falou sobre querer causar impacto dentro de campo brigando por títulos, mas que também está animada para trabalhar com Michele Kang no fortalecimento da modalidade no mundo e no desenvolvimento de jovens atletas.
Outras estrelas no London City
Para além do projeto de gestão e investimento no futebol feminino, o London City Lionesses tem dois objetivos claros para a temporada 2026/27: uma vaga para a Champions League e disputar o título da WSL. Também quer brigar por troféus nas copas nacionais.
Montando uma equipe mais competitiva, o London anunciou outros grandes nomes do futebol feminino: a goleira inglesa Mary Earps (ex-PSG); as atacantes Kadidiatou Diani (ex-Lyon), Rosa Kafaji (ex-Arsenal) e Nicole Anyomi (ex-Eintracht Frankfurt); e as defensoras Mapi León (ex-Barcelona) e Janni Thomsen (ex-Utah Royals).
A expectativa é que até o final da janela de transferencias novos nomes sejam anunciados.
A temporada da Women’s Super League vai começar no início de setembro de 2026 e vai contar com 14 times na briga pelo título.









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